SÉRIES REAL COMPANHIA VELHA

1 Linha Experimental de Vinhos // 10 Anos // 13 Referências // Mais de 30 Vinhos

Alvarelhão Branco, Alvaraça, Branco Gouvães (ou Touriga Branca), Esgana Cão, Donzelinho Branco, Moscatel Ottonel, Samarrinho, Bastardo, Donzelinho Tinto, Malvasia Preta, Preto Martinho, Cornifesto, Rufete, Tinta da Barca, Tinta Francisca e Tinto Cão, são alguns dos exemplos de castas que a Real Companhia Velha (RCV) recuperou para o seu projecto SÉRIES. Um trabalho que teve início em 1996, com a criação da ‘Fine Wine Division’, um departamento técnico composto pelas equipas de viticultura e enologia desta empresa bicentenária do Douro, que procurava desenvolver um trabalho de inovação e experimentação, tanto em diferentes abordagens na produção, como no estudo e utilização de castas menos conhecidas, algumas mesmo à beira da extinção.

Depois de muito estudo, a equipa técnica comprometida com o projecto decidiu em 2002, no desenvolvimento do seu trabalho, apostar na recuperação de mais de 30 castas autóctones, fixando as castas brancas na Quinta do Casal da Granja, no planalto de Alijó, enquanto que as tintas encontraram lugar na Quinta das Carvalhas, junto ao Pinhão e na Quinta dos Aciprestes, na zona do Tua. Também a recolha das varas para enxertia foi da responsabilidade da empresa. O príncipio foi sempre o mesmo: plantar diferentes castas em parcelas separadas, com o mínimo de 1 hectare, de forma que fosse possível avaliar o potencial das mesmas e produzir vinhos varietais com perfis originais. E assim nasceu em 2012 a marca SÉRIES, a linha experimental de vinhos da RCV, que representa a inovação e experimentação de novos caminhos para o Douro, tendo não só em atenção a procura de novos perfis de vinho, como os desafios que as alterações climáticas começam inevitavelmente a colocar nas vinhas da região.

CRONOLOGIA DE LANÇAMENTOS

Primeiras Colheitas por Referência : 2012 – Rufete tinto 2010. 2014 – Chardonnay & Pinot Noir Espumante Bruto rosé 2011. 2015 – Samarrinho branco 2013, Arinto branco 2012, Moscatel Ottonel branco 2014. 2017 – Donzelinho Branco branco 2016. 2018 – Bastardo tinto 2014, Cornifesto tinto 2015, Gouveio branco 2016, Malvasia Preta tinto 2015, Tinto Cão tinto 2015. 2020 – Branco Gouvães branco 2017. 2022 – Tinta Amarela tinto 2018.

Nem todas as experiências foram bem sucedidas, mas desde o lançamento do primeiro vinho desta marca, o SÉRIES Rufete da colheita de 2010, que têm sido engarrafados monocastas com variedades que a maioria dos consumidores nunca tinha ouvido falar, resultando em vinhos verdadeiramente singulares. Agora, dez anos depois, são já 13 as referências, algumas das quais com mais de uma colheita: 1 Espumante, Chardonnay & Pinot Noir Espumante Bruto Rosé. 6 Brancos, Arinto, Branco Gouvães, Donzelinho Branco, Gouveio, Moscatel Ottonel e Samarrinho. E 6 Tintos, Bastardo, Cornifesto, Malvasia Preta, Rufete, Tinta Amarela e Tinto Cão. A RCV fez questão de registar a primeira década deste projecto com um pequeno balanço e uma prova de apresentação de algumas novidades prontas a chegar ao mercado. A mesma decorreu no novo hotel de Santa Apolónia, The Editory Riverside, onde estiveram oito vinhos à prova.

BRANCOS           

Séries Donzelinho Branco branco 2019 • PVP: €20,00 • Garrafas: 783 • Álc.: 13,5 % • No site da RCV pode ler-se que a “Donzelinho Branco é uma das castas mais exóticas e invulgares que está plantada no planalto de Alijó”. Surge plantada essencialmente no Douro e Trás-os-Montes e origina vinhos aromáticos e frescos. Esta colheita de 2019 foi vinificada em cubas de inox, onde estagiou de seguida por um período de seis meses. O resultado é um branco com presença, cheio, com sugestões florais e de fruta branca, num registo muito equilibrado, fresco e mineral, com uma acidez bem proporcionada, que lhe prolonga o final.

Séries Samarrinho branco 2019 • Álc.: 13,5 % • Se há um vinho que expressa da melhor forma a filosofia de inovação e experimentação do projecto Séries, será este Samarrinho. Apesar de ser uma casta autóctone que surge com alguma frequência nas vinhas velhas do Douro, a Samarrinho (também conhecida por Budelho) antes deste monovarietal lançado pela RCV era praticamente desconhecida e pouco cultivada em extreme. À semelhança do Donzelinho, também o Samarrinho foi vinificado e estagiado em inox, tendo aqui existido um estágio suplementar de 1 ano em garrafa. Num perfil aromático mais contido que o Donzelinho, o Samarrinho mostra-se delicado e fresco, com fruta cítrica, de perfil muito elegante, a prespectivar bom potencial de evolução em garrafa. Foi um dos favoritos.

Séries Branco Gouvães branco 2018 • Álc.: 12,5 % • Também conhecida por Alvarelhão Branco, a casta Gouvães chegou a ser conhecida localmente por Touriga Branca e é uma das castas mais raras de encontrar no Douro. Pontualmente poderá encontrar-se entre as vinhas mais velhas e de altitude do planalto de Alijó. Neste caso, apesar de vinificação ser semelhante às anteriores, o vinho estagia durante seis meses, com battonage, em barricas usadas de 500 litros. Vinho mais complexo e estruturado, com sugestoes de barrica, baunilha, fruta branca, com bom volume de boca e um final persistente.

TINTOS

Séries Bastardo tinto 2017 • PVP: €20,00 • Garrafas: 1740 • Álc.: 14,5 % • É uma das castas mais conhecidas na produção de Vinho do Porto, mas para vinho de mesa e em monovarietal, são poucos ou nenhuns os exemplos. Em Portugal só existe na região do Douro e acredita-se ser um clone da casta francesa da região do Jura, Trousseau. É uma casta rústica, que se dá bem com climas mais extremos como no Douro. O vinho foi vinificado em inox, com 70% dos cachos inteiros e os restantes desengaçados, seguindo-se um estágio de doze meses em barricas usadas. Aromático, fresco e com bastante presença de boca, apresenta sugestões de frutos silvestres, resulta num vinho aberto na cor, de taninos finos e sabor terroso e especiado.

Séries Rufete tinto 2017 • PVP: €20,00 • Garrafas: 4266 • Álc.: 12,5 % • A história da linha Séries começou precisamente há dez anos atrás com o lançamento do Séries Rufete 2010, o primeiro monovarietal desta casta em Portugal. Muito conhecida no Douro, com presença frequente nas vinhas velhas, durante muito tempo a Rufete não foi muito bem vista, tendo sido quase abandonada, por resultar em vinhos abertos e pouco concentrados, o oposto do que se procura na região. Mas foi mesmo por ter este perfil “desalinhado” que a RCV apostou num vinho diferente e que teve imenso sucesso. Hoje em dia os tintos leves e abertos são uma tendência, mas naquela altura foi de facto surpreendente um tinto e logo do Douro com estas características. Esta nova colheita é vinificada da mesma forma que o Bastardo, mas neste caso temos 50% dos cachos desengaçados e os restantes inteiros. Resulta num tinto aromático, leve, elegante e fresco, pouco concentrado, com um perfil mais contido, de taninos suaves e final de boa persistência. Deve ser bebido mais frio que o habitual, quase à temperatura de um branco. Outro dos favoritos. Este vinho habitualmente é feito com uvas da Quinta de Cidrô, mas nesta colheita de 2017 foram usadas as vinhas da Quinta das Carvalhas.

Séries Tinta Amarela tinto 2017 • PVP: €20,00 • Garrafas: 1072 • Álc.: 14,0 % • É o mais recente lançamento da linha Séries, uma casta difícil e pouco amada, mais utilizada na produção de Porto Tawny, que tem também presença nas vinhas velhas do Douro. As uvas para este vinho são provenientes da Quinta dos Aciprestes, vinificadas da mesma forma que o Rufete, 50% de cachos inteiros e 50% desengaçados, seguindo-se um estágio de 12 meses em barrica. Mostra complexidade aromática e mais concentração que os anteriores, resultando num tinto macio, redondo e de taninos suaves.

Séries Malvasia Preta tinto 2018 • PVP: €20,00 • Garrafas: 810 • Álc.: 14,0 % • A Malvasia Preta é uma das castas mais antigas do Douro, também com presença assídua nas vinhas velhas da região, mas que só com a linha Séries ganhou estatuto de produzir um vinho monovarietal. A fermentação deste vinho ocorre em cubas de inox fazendo depois um estágio em barrica durante 12 meses até ao engarrafamento. De cor aberta, é um tinto singular e elegante, num perfil aromático mais desviante, com algumas sugestões vegetais, revelando um final de prova longo e persistente. É um Douro verdadeiramente original, de uma casta que só encontramos no Norte de Portugal, entre o Douro e Dão.

Séries Cornifesto tinto 2018 • PVP: €20,00 • Garrafas: 900 • Álc.: 13,5 % • O último vinho da prova foi o monocasta de Cornifesto, outra variedade identificada há muito tempo nas vinhas velhas do Douro. Também aqui, com a colheita de 2018, foi a RCV a engarrafar pela primeira um monovarietal desta casta. Vinificada da mesma forma que a Malvasia Preta, revela complexidade aromática, com sugestões vegetais e de especiarias, num registo um pouco mais desalinhado. Com estrutura e acidez, duas das prinicpais características da casta, mostra um tanino mais presente, com alguma rusticidade e um final de boca fresco e elegante. Boa surpresa, em mais um vinho distinto e original.

A apresentação contou com a presença de Pedro Silva Reis, administrador e responsável comercial da RCV e Jorge Moreira, director de enologia.

Com mais de 150 variedades identificadas, o Douro poderá ser a região de Portugal com a maior diversidade de castas e isso confere a este projecto Séries, um grande número de novos caminhos a descobrir. No balanço desta primeira década, foi possível constatar que esta linha de vinhos é uma aposta da RCV para continuar, contando já com mais algumas novidades na calha, que surgirão durante as próximas colheitas.

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