Casa de Darei

DSC_0026

Não encontro explicação para o motivo, mas os vinhos da Casa de Darei nunca foram vinhos que fizeram parte da minha garrafeira. Cruzo-me com os ditos frequentemente em eventos e fico sempre com boa impressão, mas foi sempre uma marca que me passou ao lado. Recordo, talvez a primeira vez que fiquei com os vinhos Darei como referência, de um Lagar de Darei Grande Escolha Branco 2009 que provei no Adegga Winemarket de 2010, ainda no Teatro Aberto, que me impressionou pela sua estrutura e acidez e o coloquei na altura na lista dos meus favoritos do evento.

Agora, com a vinda da Casa de Darei à Delidelux, para a apresentação das suas novidades e também de algumas antiguidades, tive a oportunidade de conhecer melhor os seus vinhos.
Um projecto que nasceu em 1997 da paixão de José Machado Ruivo e que o levou a adquirir a antiga propriedade de 150 hectares na pequena aldeia de Darei, Mangualde, em plena região demarcada do Dão. O primeiro vinho nasceu em 1999 com vinhas compradas para, em 2004, sair para o mercado o primeiro vinho produzido inteiramente com uvas próprias.
A Inês e o Carlos, filhos do proprietário, dão a cara pelo projecto e foram eles que conduziram esta apresentação em Lisboa.

DSC_0013

A enologia está a cargo de Pedro Pereira e em desfile estiveram seis vinhos, dois brancos e quatro tintos, produzidos exclusivamente a partir de castas tradicionais da região. A saber: Lagar de Darei Branco 2013 (5€), Private Selection Branco 2012 (10€), Lagar de Darei Tinto 2011 (5€), Lagar de Darei Sem Abrigo Tinto 2011 (9€), Lagar de Darei Reserva Tinto 2011 (12€) e José Tinto 2004 (34€). Mostraram-se vinhos de carácter autêntico, com aromas e sabores a Dão, mais acessíveis ao palato as gamas de entrada, mais complexos e profundos os restantes. Os brancos revelaram elegância e aquele toque mineral característico da região. Excelente relação qualidade preço para o Lagar de Darei Branco. Quanto aos tintos, mostraram frescura, com notas vegetais e minerais a marcar o perfil, vinhos para apreciadores exigentes, sem cedências óbvias e de objectivo comercial. Destaque evidente para o Grande Escolha Tinto de 2004, agora reeditado sob o nome de José, uma homenagem ao patriarca do projecto. O vinho dá um bom testemunho da longevidade dos vinhos do Dão, com grande complexidade aromática, macio, equilibrado, um divino representante dos tintos da região. Está numa excelente fase de consumo e a pedir uma Vitela Assada à moda de Lafões.

Depois desta prova passei definitivamente a olhar de outra forma para estes vinhos, ao ponto de me ter cruzado com o Grande Escolha Tinto 2004 numa prateleira e o ter trazido para casa.

Para finalizar, uma referência ao turismo da Casa de Darei, que com a proximidade ao rio Dão e com toda a envolvente rural que caracteriza a região, oferece a possibilidade aos visitantes de ficarem alojados onde nascem estes vinhos. Para os eno-turistas há provas de vinho e visitas guiadas à vinha e adega, para os restantes existem várias actividades como a canoagem, passeios a cavalo e uma quinta pedagógica que fará as delícias dos mais novos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *