Pape 2012

Em Março de 2017 tive o prazer de participar numa prova vertical do vinho Pape da Quinta da Pellada. Infelizmente na altura não consegui escrever nada sobre o assunto, mas hoje, à boleia de um Pape 2012 que bebi no último fim de semana lembrei-me deste grande momento enófilo. Uma vertical é uma prova onde se comparam diferentes colheitas do mesmo vinho, sendo um momento privilegiado para entender o seu perfil e as diferenças entre cada ano de colheita. Esta foi uma prova muito didáctica, como são quase todas as verticais, que permitiu comparar nove colheitas deste vinho que é um dos topos de gama da Quinta da Pellada.

Não sendo um lote rígido, o Pape é habitualmente produzido com cerca de 40% de vinha velha da Quinta da Pellada e 60% de Touriga Nacional da vinha do Outeiro. A vinha do Outeiro foi adquirida à Casa da Passarella e daí o nome do vinho Pape, Pa(ssarella) + Pe(llada). Nos anos em que a casta Baga tem bom comportamento também faz parte do lote deste vinho, como no caso da colheita de 2010, por exemplo.

Na referida vertical, talvez por ser o vinho mais jovem em prova, este 2012 não se destacou. Nessa altura brilharam mais alto as colheitas de 2005, num excelente momento, a mostrar a capacidade de envelhecimento deste vinho e a de 2011, mais rica e pujante mas sem perder a elegância característica dos vinhos da Pellada. Mas desde essa altura já lhe voltei por mais duas vezes, uma no ano passado e esta agora e o vinho mudou substancialmente.

Desta vez achei-o mais integrado, com a fruta e a barrica em perfeito diálogo, num registo mais sério, com uma complexidade aromática mais próxima dos Pape que conhecemos. Na boca ainda mostra muita juventude, com taninos muito finos e uma acidez bem presente, num tom denso, com alguma austeridade até, num registo com presença mas também com elegância, terminando longo e persistente. Não será o melhor Pape de todos, mas pelo que dá a entender ainda vamos ter vinho para uns bons anos. Foi à mesa com um cachaço de porco assado lentamente e fez uma óptima combinação, mas se lhe dermos um bom cabrito então será um casamento real.

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