Ò Elvas, Ò Elvas…

Da mesma forma que Paco Bandeira canta na canção, também eu sou “turista de amor e saudade, trago no peito esta cidade”. Elvas é a cidade que já visitei por mais vezes e se atendermos ao facto que apenas a conheci há 5 anos e depois disso já lá voltei por 3 vezes, dá uma média de quase uma visita por ano. Parece-me elucidativo o efeito que esta cidade tem em mim. Tenho grande paixão pelo Alentejo, desde o litoral ao mais profundo e Elvas foi eleita por mim a sua capital.
Pode-vos parecer estranho entre tantas atracções turísticas no Alentejo estar a falar desta forma de Elvas mas ainda bem que não é muito falada, é assim que eu gosto dela, longe das modas e da confusão, são estes segredos que eu gosto de guardar, como ainda há alguns no Alentejo. São pequenas e simples coisas que esta cidade tem que me dão enorme prazer, seja contemplar o majestoso Aqueduto da Amoreira ao por do sol (de preferência a partir do Forte da Graça), ou uma conversa de amigos numa esplanada da Praça da Republica, passando pelos petiscos da Taberna do Adro, tudo isto são coisas tão simples, sem preço, que me fazem voltar e voltar e voltar.

Para esta história vou escolher para dormir a Pousada de Santa Luzia, onde ao aproveitar uma promoção na Net o fim de semana custou-me 120€/2 noites (era época baixa), mas podia ter sido o Hotel São João de Deus (gostei muito, decoração irrepreensível) ou o Monte da Amoreira (não gostei tanto).

Saindo de Lisboa ás 19.30, chegamos a Elvas ás 21.30, hora ideal para pousar as malas na Pousada e seguir directos para Vila Fernando, pequena aldeia a 12 Km de Elvas onde fica o maior segredo da restauração portuguesa, a Taberna do Adro. Taberna porque é isso mesmo, uma casa de família adaptada a restaurante (no exterior é uma casa igual ás restantes), tão típica e tão genuína que até chateia, a fazer lembrar as antigas tabernas dos petiscos e do vinho, do Adro porque fica no Adro da Igreja, onde no verão as mesas corridas invadem o espaço e podemos jantar com a Igreja como fundo embalados pelo Fado. No interior o espaço é reduzido e por isso muito acolhedor, nas paredes pratos típicos pintados pelo proprietário fazem a decoração, acompanhados por peças regionais típicas, na mesa uma panóplia de petiscos regionais onde o auge é atingido com os Pezinhos de Porco de Coentrada. Os doces conventuais e uma extensa e criteriosa lista de vinhos da região completam o ramalhete. Visita obrigatória, como obrigatório é guardar segredo, tchhhhhhhiu!

O amanhecer é feito com o excelente pequeno almoço da Pousada (serviço 5 estrelas), seguido por um passeio pelo centro histórico. Por aqui o comércio local ainda é Rei e as lojas antigas são misturadas com as mais modernas, criando uma curiosa e muito pequena zona comercial que é invadida aos sábados por nuestros hermanos que descobriram deste lado da fronteira o local ideal para passear/fazer compras/almoçar/jantar, tudo isto por muito poucos euros para as suas bolsas. Passando pela Praça da Republica onde voltaremos mais tarde, a subida ao Castelo é o trajecto lógico deste passeio. Chegados a este podemos desfrutar de belas vistas por toda a planície onde se avista sem grande esforço a vizinha Badajoz. Badajoz é a próxima paragem. É uma cidade que não tem nada de mais, um castelo em mau estado e alguns (poucos) edifícios da parte histórica que merecem atenção, no entanto é da praxe vir a Badajoz, visitar o El Corte Inglês, parar numa esplanada e tapear qualquer coisa.

De regresso a Elvas, continuamos o nosso passeio pela parte histórica onde paramos na Praça da Republica agora cheia. Turistas, espanhóis na maioria, visitantes e alguns locais preenchem as esplanadas da Praça. O final da tarde está guardado para uma visita ao Forte da Graça e aproveitar o por do Sol para contemplar e fotografar o imponente Aqueduto da Amoreira.

A Janta está marcada no Pompílio. Na aldeia de São Vicente a 8 Km de Elvas fica outra referencia incontornável da região, típico, boa comida, bom ambiente… e bom vinho. O jantar faz-se arrastar pela conversa e quando deixamos o Pompílio já é tarde, o caminho de volta é feito com cuidado pelo escuro das noites Alentejanas, escuras e frias nesta altura do ano. O resto do serão é passado no bar da Pousada, ao calor da lareira com uma decoração muito cosy, uma bebida e um jogo de mesa terminam de forma perfeita o dia.
De partida, dizemos adeus á Pousada que tão bem nos acolheu, não sem antes espreitar a piscina e o jardim envolvente onde fica a vontade de regressar em temporada quente. Pelo caminho de regresso passamos pela Jorumenha onde é obrigatória uma visita á Fortaleza (como é possível deixarmos um património destes definhar!?) empoleirada sobre o Guadiana que por aquelas bandas define a linha de fronteira. Petiscamos ainda no Redondo, na Tasca do Xana, onde provamos o tinto Roquevale que nos chega da bonita Herdade de Monte Branco que fica um pouco abaixo do Restaurante, curioso o facto de ser uma Sra. a enóloga responsável pela produção da Quinta.
Pronto, e o fim de semana chega ao fim, espero que tenham gostado e que tenham ficado com vontade de ir a Elvas. Ainda não sei qual vai ser a próxima fonte de inspiração para um post do género, mas será sempre um local por onde passei e onde gostaria de voltar, os que não gostei não vou perder tempo a escrever sobre eles. Kisses!!

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