Adega do Cachete (São Pedro do Corval, Reguengos de Monsaraz)

O prometido é devido. Cá está o repasto que fiz com o grupo dos Desafios da Adega no restaurante Adega do Cachete, em São Pedro do Corval, no dia da nossa visita à Herdade do Esporão.

 

(foto retirada do site do restaurante)

 

Estamos num Alentejo profundo, seco, genuíno, de paisagens marcadas pelas planícies que as espigas pintam de dourado. São Pedro do Corval é uma localidade muito próxima de Reguengos de Monsaraz, conhecida por ser a capital portuguesa da olaria. Com o seu casario típico, caiado de branco, alberga muitas lojas e oficinas de olaria onde o visitante pode apreciar e adquirir as famosas peças alentejanas de barro, bem como acompanhar ao vivo o trabalho dos artesãos locais. É neste contexto típico e castiço que está inserida a Adega do Cachete, lugar injustamente omitido, quando nos referimos às grandes referências gastronómicas da região.

 

 

Ao entrarmos a decoração enquadra-nos de imediato com o tipo de refeição que nos espera. Paredes decoradas com as tais peças de olaria e também com peças artesanais que aludem aos trabalhos de lavoura dos habitantes locais. Chão em cerâmica manhosa (uma tijoleira ficava tão bem), mesas e cadeiras de madeira, caminhos de mesa de pano com padrão típico, por cima, toalhas de papel e loiça típica de barro. Lamenta-se a televisão a estragar o ramalhete.
Juntando a isto o ambiente simples e agradável (por agradável entenda-se climatizado, que lá fora já há muito que os termómetros tinham passado os 35ºC), estava montado o cenário para o festim, não o de Babette, o de Cachete.

 

(foto @airdiogo)

 

A ementa mantém-se fiel às tradições da cozinha regional alentejana, honesta e sem truques, muito valorizada pela excelência dos produtos. Esse foi para mim o factor que mais se destacou nesta refeição e que a tornou em algo mais que muitas outras feitas neste segmento de restaurantes da região.
O facto de sermos um grupo bastante grande, proporcionou a possibilidade de provarmos praticamente toda a ementa e quando se provam mais de vinte pratos, tudo de excelente qualidade, de confecção exemplar, e não há algo a apontar, penso que está tudo dito em relação à qualidade do local.
Começando logo pelo pão e pelas azeitonas (1,6€), a dar dez a zero a muito couvert bacouco de restaurante da moda. Depois torresmos de rissol (2,5€), de fritura recente, crocantes e saborosos, um hino ao produto alentejano. Ainda nas entradas, uns ovos com espargos (6,5€, al dente), carapauzinhos fritos (2€, de chorar), chouricinha frita (2,25€, linguiça), pataniscas de bacalhau (1€, fortes candidatas a elo mais fraco), queijo de ovelha caseiro (2,5€), e uns ovos com cogumelos cilarca (6,5€, maravilhosos), muito populares por estas bandas.

 

Torresmos de rissol.

 

Chouricinha Frita.

 

 

Ovos com Espargos.

 

Nos principais novo desfilar de pecados. Bochechas de Porco Alentejano (7,5€), Lombinhos com Migas (12,5€), Presas de Porco Alentejano (11€), Migas de Espargos (3,5€), Gaspacho (7,5€), Cataplana de Cação (12,5€), tudo de muito bom nível.
Para fim de festa, Sericá com Ameixas (2,25€, de gabarito), Encharcada (3€), Pão de Rala (3€) e Frutas Diversas (1,25€).

 

Bochecha de Porco Alentejano.

 

Cataplana de Cação.

 

Sericá com elas, para um doce final.

 

Nos vinhos, por maioria absoluta, optou-se pelos jarros do tinto da casa (6,5€) que deram boa conta do recado.
Apesar do elevado numero do grupo e a dificuldade que isso acarreta para o serviço, este foi sempre correcto e simpático.
No final, com toda a gente satisfeita, pagou-se por cada refeição cerca de 17€, preço justo para o descrito.
Excelente experiência, numa casa que não conhecia e que entrou de imediato na lista dos favoritos. É pouso seguro e muito recomendável numa ida áquelas bandas.

 

266549568, 968731702

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