10 Anos de Adega Mãe

Era evidente a felicidade e emoção com que Bernardo Alves, proprietário e administrador da Adega Mãe, fazia a retrospectiva da primeira década de vida deste projecto sediado em Torres Vedras. Foi durante a festa de aniversário que decorreu no espaço Suspenso, em Lisboa, que também serviu de ocasião para a apresentação de algumas novidades vínicas. As festividades começaram com o referido balanço sobre a primeira década de vida da empresa, seguiu-se a apresentação dos novos vinhos e uma mini vertical do vinho Adega Mãe Viosinho, que incluiu uma amostra do novo single vineyard “Parcela Amarela” (nome não oficial), culminando depois em modo festivo com música, vinho e a stand up comedy de Aldo Lima.

Diogo Lopes e Bernardo Alves.

Bernardo Alves (à direita na foto) deu início “aos trabalhos” com uma retrospectiva do percurso da Adega Mãe até aos dias de hoje, fazendo uma pequena cronologia de alguns momentos marcantes desta primeira década de vida, sem esquecer os desafios do início do projecto. A construção da adega e a montagem do projecto que teve início em 2009, o primeiro vinho lançado em 2011 (Dory Tinto), os primeiros topos de gama em 2016 (Adega Mãe Terroir) e a abertura do restaurante Sal na Adega, bem como um profundo rebranding da marca, já em 2020. 2020 que também mereceu um breve comentário sobre a forma positiva como se adaptaram às condicionantes da pandemia, conseguindo mesmo fazer crescer as vendas por comparação com o ano de 2019.

Outros números interessantes que foram dados a conhecer estão relacionados com a forte dinamização que a exportação da Adega Mãe vive por estes dias, com 70% da produção a ser escoada para diversos países, tendo como principais mercados, o Brasil, o EUA e a Ásia, havendo uma grande aposta de futuro no mercado da América Central. Os restantes 30% dividem-se entre os 20% do mercado nacional e os 10% vendidos através do enoturismo. A produção fixa-se em 2021 nos 2 milhões de garrafas (mais 300.000 que em 2020) e destas o mercado nacional recebe 450.000 (mais 100.000 que em 2020). Para terminar as contas, importa registar que entre 2020 e 2021 a empresa investiu cerca de 700.000€ no enoturismo (restaurante) e na área de produção. E a faturação, que sobe consecutivamente desde o início da actividade, estima fixar-se em 2021 nos 4.4 milhões de euros.

No que toca aos vinhos, dois pontos principais, a reorganização das gamas e o rebranding, que inclui novos rótulos e novo logotipo. Sobre a reorganização do portefólio a grande novidade prende-se com o os Dory Reserva (branco e tinto) que passam agora a chamar-se Adega Mãe Reserva. Assim sendo passam a existir as seguintes gamas: Os entrada de gama Pinta Negra, os Dory, os Adega Mãe Reserva, os Adega Mãe Monocastas, os Espumantes, os Vinhos de Parcela (que neste momento são dois, o Vital Vinhas Velhas lançado recentemente e o Parcela Amarela, dado a conhecer nesta ocasião) e os Topos de Gama, Adega Mãe Terroir e 221, todos eles já com a nova imagem. A enologia continua a cargo de Diogo Lopes com a consultoria de Anselmo Mendes.

Passemos então à prova dos vinhos:

Começamos pela novidade Adega Mãe Pinot Noir Rosé 2020, um rosé de prensa, com fermentação em inox durante 20 dias e estágio sobre borras finas durante 8 meses. É um rosé aromático, com boas sugestões da casta, num estilo seco, delicado e com boa acidez. Tem um preço recomendado de 8,45€ e foram produzidas 3.000 garrafas.

Depois o Adega Mãe Reserva Branco 2919, um lote de Viosinho, Alvarinho e Chardonnay, fermentado em barricas de carvalho francês, com batonnage durante 10 meses. Fresco e mineral, equilibrado entre o perfil frutado e as sugestões de barrica, é um branco com volume, a pedir pratos de bacalhau. Este vinho era o antigo Dory Reserva. Tem um preço recomendado de 11,95€ e foram produzidas 10.000 garrafas

O Dory Tinto 2020 mantém o habitual lote de Touriga Nacional, Syrah, Pinot Noir e Aragonez, com fermentação em inox e estágio parcial em barricas usadas. É frutado, consensual, com bom compromisso entre fruta e acidez, dentro do estilo habitual. PVP de 4,99€ e foram produzidas 150.000 garrafas.

De seguida aquela que foi para mim a revelação do dia, o Castelão Tinto 2017. Castelão proveniente de uma vinha de encosta em Alenquer, fermentado em inox e estagiado em barricas usadas durante 11 meses. Jovem, com fruta vermelha e sugestões terrosas e vegetais da casta, num perfil muito interessante de Castelão. Boa estreia. 3000 garrafas , com um PVP de 8,45€, à semelhança de toda a gama de monocastas.

Seguiu-se um mini vertical do monocasta Viosinho, onde se comprovou o bom potencial de envelhecimento deste vinho. Bem o 2012, com algumas notas de evolução mas ainda a dar excelente prova. Melhor o 2013, com menos evolução, a revelar ainda muita frescura. O 2015, ainda com o lado frutado muito presente, pareceu com uma acidez mais descasada nesta fase e o 2019, ainda jovem, dentro do estilo habitual dos Adega Mãe Viosinho, vivo, leve e com um final fresco e de boa persistência. PVP 8,45€ e produção de 10.000 garrafas. 

Fechou-se a prova com mais uma novidade, um segundo vinho de parcela, depois do Vital Vinhas Velhas. O Adega Mãe Parcela Amarela 2019 é um monocasta de Viosinho, ainda em amostra, num estilo que me pareceu um pouco diferente do Viosinho habitual. Menos falador, fresco e com volume, é um branco ainda jovem, com boa presença, que vai precisar de algum tempo para se mostrar. Veremos como será com algum tempo de garrafa. Todos estes vinhos de parcela terão venda exclusiva na loja física e online do produtor. Para breve será lançado também um Pinot Noir de parcela. 

E pronto, assim se passaram dez anos em revista, de uma casa com um portefólio sólido, de bons vinhos e a bons preços, com uma enologia também ela sólida e consistente. É declarada a aposta na marca Dory, numa referência “de combate”, que os responsáveis da Adega Mãe depositam muita confiança para fazer crescer as vendas e a produção. Um desafio constante, ir à luta com vinhos de uma região como Lisboa. Parabéns à Adega Mãe.

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