Trás os Montes

Viagem em Junho de 2022.

BRAGANÇA

15 anos depois regressei a Bragança, uma cidade que em ambas as ocasiões me deixou muito bem impressionado. Apesar de estarmos numa cidade do interior, Bragança é uma cidade com vida, muito impulsionada pelo Polo Universitário, mas também pela proximidade com Espanha. Não se pode dizer que seja uma cidade moderna, mas em Portugal, além de Porto, Lisboa, Braga e Coimbra, não conheço outra cidade com tanto dinamismo. Uma das grandes mudanças que encontrei foi a intervenção urbana em algumas zonas reabilitadas da cidade, com destaque para a Cidadela. Situada dentro das muralhas do castelo, a Cidadela de Bragança teve uma grande transformação, foi reabilitada e modernizada, com muitas a novas propostas de comércio e restauração e isso atrai não só muitos visitantes, como também passou a ser um local de eleição para os habitantes locais. O castelo do século XV é um dos mais bem conservados do país e a par do Domus Municipalis, estamos perante duas das maiores atracções da cidade. Muito recomendável também é um passeio pela zona histórica, onde se sente o pulsar da cidade – descendo a Avenida João da Cruz, apanhando a ligação da Rua 5 de Outubro e terminando no bonito e renovado Jardim António José D’Almeida. Daí à Praça da Sé ou ao Castelo e seus museus é um saltinho. Foi um prazer voltar a Bragança.

Pousada de Bragança

As obras de Graça Morais, Júlio Resende e José Rodrigues e os tapetes da Fábrica de Beiriz, são algumas das referências da decoração da Pousada de São Bartolomeu. Projectada nos finais dos anos 50 pelo arquitecto José Carlos Loureiro, é actualmente uma unidade hoteleira do Grupo Pestana Pousadas. O seu restaurante G Pousada, com uma estrela no Guia Michelin, é um marco da restauração da região.
Um postal da Pousada de São Bartolomeu. A piscina, os jardins e a vista inesquecível sobre a cidade e o castelo.

Restaurante G Pousada

Robalo, Tagliatelle de Lula e Puré de Aipo, um dos pratos do Menu Graça Morais no Restaurante G Pousada. Com uma estrela no Guia Michelin, o Restaurante G Pousada é uma das maiores referências gastronómicas de Trás os Montes da actualidade. Sob o comando dos irmãos Geadas, o restaurante da Pousada de Bragança mostra a influência da gastronomia local nos menus de alta cozinha que apresenta.

Taberna do Javali

A Taberna do Javali é a versão moderna do estabelecido e reconhecido Restaurante Javali. Situada na Cidadela, tem uma esplanada fantástica virada para o castelo e isso, numa noite quente de Junho, foram atributos suficientes para nos fazer entrar. Menu com alguma inspiração internacional, tapas, hamburgueres, sandes, muitos pratos a convidar à partilha, mas também alguns mais tradicionais e com mais substãncia. Carta de vinhos aceitável e a preços aceitáveis, serviço simpático e uma envolvência muito agradável. Não será a maior experiência gastronómica das vossas vidas, mas pode ser uma boa opção para um jantar mais ou menos ligeiro, com vista cénica para o castelo.

GIMONDE

Gimonde fica somente a 6 km de Bragança e é uma aldeia típica transmontana e uma das principais portas de entrada do Parque Natural de Montesinho. Atrai muitos visitantes pelas suas paisagens tranquilas, pelo encanto de um aldeia parada no tempo, mas também e no meu caso acima de tudo, pela excelência das carnes assadas do Restaurante O Abel. Além da grande atracção que é O Abel, também o famoso pão de Gimonde, com a sua receita ancestral, é muito apreciado. Além disso, o azeite, os licores, os enchidos, o mel, as compotas, são outros dos produtos artesanais produzidos na aldeia e que podem ser adquiridos directamente aos produtores ou nas várias lojas já criadas para satisfazer o turista.

Restaurante O Abel

O Restaurante O Abel é uma instituição e uma das maiores referências gastronómicas de Trás os Montes. Com a excelência das suas carnes transmontanas assadas na brasa, tornou-se um lugar de visita obrigatória, seja para apreciar a famosa Posta à Abel (a sua versão da Posta à Mirandesa) ou a costeleta de vitela. Na foto a famosa Posta à Abel.

O Abel Hotel Rural

O Abel Hotel Rural é um pequeno hotel dos mesmos proprietários do restaurante, fica nas traseiras deste e é uma boa opção para pernoitar em Gimonde. As instalações são impecáveis, novas, confortáveis, com quartos de boa dimensão, equipados com ar condicionado, televisão por cabo e wi fi gratuito.

MACEDO DE CAVALEIROS

Albufeira do Azibo

Década e meia atrás, a última vez que tinhamos andado por estas paragens, pernoitámos num turismo rural onde o seu proprietário referia na altura o impacto que a zona balnear que estava a nascer na Albufeira do Azibo ia trazer ao desenvolvimento económico e turístico da região. Década e meia depois, também motivados pelos dias tórridos de um Junho especialmente quente, tivemos curiosidade em ir conhecer essa infraestrutura, que se tornou a principal atracção da zona de Macedo de Cavaleiros. O Parque de Natureza da Barragem do Azibo, penso que é assim o nome desta estância balnear de Trás os Montes, tem uma magnífica praia fluvial e um óptimo espaço de lazer, banhado por uma bonita e convidativa paisagem. Soube bem o mergulho.

Marisqueira Novo Mariano

Admito que Macedo de Cavaleiros deva ter as suas atracções, mas a verdade é que não tinhamos nenhuma referência na cidade e esta incursão deveu-se apenas porque estavamos pela zona com necessidade de almoçar. Já a Marisqueira Novo Mariano, acaso do Tripadvisor, revelou-se uma agradável surpresa. Quem diria que Macedo de Cavaleiros esconde “a Marisqueira de Trás os Montes”, como os próprios se intitulam, e com propriedade acrescento eu, mesmo não conhecendo as restantes. Marisco fresco, de boa qualidade e bem tratado, chegado com frequência da zona de Lisboa, serviço cinco estrelas, conhecedor e despachado, à imagem das melhores referências do género. Muito bom. Se houvesse um bib gourmand do Joli, este valia plenamente o desvio.

Podence

O Entrudo Chocalheiro, com a figura dos Caretos a personalizar este ritual pagão, colocou a aldeia de Podence no mapa e na rota de muitos visitantes da região. Como estavamos na zona e não conhecíamos Podence, decidimos fazer um curto desvio para conhecer a aldeia que se transforma por altura do Carnaval, através da grande festa e que atrai milhares de visitantes. E se gostámos de conhecer as tradições, as máscaras, as vestes e a cultura desta população, já não gostámos tanto das pinturas coloridas que preenchem as casas da aldeia. Soa a falso, a marketing manhoso para entreter o turista e não me parece que tenha alguma coisa a ver com a manifestação cultural que é o Entrudo Chocalheiro.

MIRANDA DO DOURO

Há muito tempo que andavamos para visitar o Planalto Mirandês e Miranda do Douro, mas por ser uma localização tão fora de mão foi sendo uma viagem adiada. Mas desta foi de vez . Esta cidade no extremo noroeste de Portugal, que já foi capital de Trás os Montes, é das mais isoladas do país e das poucas que ainda não é servida por uma via rápida. Mas também foi esse distanciamento que lhe definiu o carácter e lhe trouxe a riqueza cultural e de património que hoje tem. Com o Rio Douro a definir a linha de fronteira, as paisagens inóspitas mas belas das Arribas do Douro, são hoje uma das maiores atracções do concelho. Além dos cruzeiros pelo Douro Internacional, merecem visita em Miranda do Douro, o Castelo (em ruínas, vale pela vista), a Concatedral (séc XVI) e o centro histórico. Também a gastronomia da região está aqui muito bem representada, com os enchidos, a alheira, a bola doce mirandesa, a posta à mirandesa e o cordeiro mirandês. Desta vez, por contigências da viagem, foi uma visita de apenas um dia, mas ficámos com pena de não conhecer a atmosfera noturna da cidade.

Cruzeiro Ambiental

O cruzeiro ambiental pelo Douro Internacional é uma das maiores atracções de Miranda do Douro. O cruzeiro é promovido pela Estação Biológica Internacional, cujo principal objectivo é o estudo e a preservação das espécies destes habitats, que sendo uma instituição independente se susbsidia através destes projectos de eco turismo. Este cruzeiro nas arribas do Douro (existe outro no Lago de Sanabria) oferece uma visita guiada através do Douro Internacional, onde é possível conhecer melhor aquele habitat, enquanto que proporciona uma viagem única por um dos locais mais inóspitos e bonitos do nosso país. No regresso, vale a pena a visita à loja de produtos regionais que existe no cais de embarque, que tem uma interessante oferta de vinhos portugueses e espanhois daquela região.

PUEBLA DE SANABRIA

Vale a pena a incursão espanhola para conhecer Puebla de Sanabria. Entrando em Espanha pela fronteira de Rio de Onor, esta cidade da Província de Zamora, na comunidade de Castilla y Leon, dista apenas 30 km a norte da fronteira portuguesa. Além da proximidade ao Lago de Sanabria, tem um casco medieval bem preservado, onde encontramos as suas principais atracções, como o castelo, a catedral e uma boa oferta de restaurantes e lojas de comércio local. Éum dia bem passado.
O Parque Natural do Lago de Sanabria é um espaço natural único, um pouco a norte de Puebla de Sanabria, onde o famoso lago de origem glaciar, o maior da Península Ibérica, atrai milhares de visitantes principalmente no verão. Também é possível fazer um cruzeiro, gerido pela mesma empresa dos cruzeiros de Miranda do Douro. A foto é da Praia de Los Enanos, onde parámos para dar um mergulho, mas ao longo do lago existem muitas pequenas enseadas convidativas, assim como os pequenos lagos e cascatas na serra que a circunda.
A fome apertou e a Méson Abelardo foi o lugar escolhido para uma refeição em Puebla de Sanabria. Quando não tens uma referência, seguir os locais para o almoço é sempre uma boa opção e mais uma vez esta máxima não nos deixou ficar mal. Muitas e boas tapas, num lugar com história e um Pulpo a la Sanabresa que fica na memória. Bom tapeo.
Rio de Onor fica localizada na fronteira entre Portugal e Espanha, a poucos quilómteros a norte de Bragança e é um lugar único no país. É uma aldeia comunitária, com um dialecto próprio, o riodonorês (em vias de extinção), as suas especificidades próprias, como os rebanhos comunitários, o forno comunitário onde se coze o pão pata toda a aldeia e a Vara da Justiça, o seu próprio tribunal. Tem também a singularidade de partilhar um terreno comunitário com outra aldeia do mesmo nome (Rihonor de Castilla) do lado espanhol da fronteira. A linha de fronteira é uma mera formalidade, tal a boa convivência de séculos. A castanha é a principal cultura da aldeia e o Javali com Castanhas uma das suas principais especialiadades.

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