Champagne Laherte Fréres Les Grandes Crayéres Blanc de Blancs Millésime 2014

Em tempos li um artigo numa revista estrangeira da especialidade com o sugestivo título, quando os vignerons tiraram o palco de Champagne às grandes casas clássicas (tradução muito livre). Ainda fiz uma pesquisa pela internet para tentar encontrar o referido artigo, pois seria interessante para enquadrar o que estou a dizer, mas sem sucesso. Era de uma revista norte americana, tenho ideia que seria a Wine Spectator ou a Wine Enthusiast. Basicamente falava da ascenção dos produtores indepedentes na região de Champagne, que cultivam as suas próprias vinhas e produzem os seus próprios vinhos, ganhando uma significativa quota de mercado às grandes casas e aos seus investimentos milionários em marketing. Focava também o facto destes pequenos vignerons terem um controle mais absoluto sobre as vinhas que cultivam e a liberdade de poderem produzir vinhos mais distintos e diversos, muito focados no terroir e em muitos casos a preços mais atraentes para o consumidor. Nos últimos anos estes vinhos têm tido muita procura e ganho cerca de 10% ao mercado tradicional de Champagne, uma tendência que deu origem a novas estrelas na região, enquanto que proporcionam aos apaixonados deste estilo de vinho centenas de novas marcas a descobrir.

Aurélien Laherte é um jovem vigneron que faz parte da sétima geração da Laherte Fréres e está desde 2005 à frente dos destinos desta empresa familiar localizada na vila de Chavot-Choucourt, a sul de Épernay. Aurélien mudou a face da Laherte e é um bom exemplo desta mais recente vaga de vignerons que estão a agitar a região. Em 2009 criou o colectivo Terres et Vin, onde reuniu outras estrelas em ascenção como Agrapart, Lahaye, Marie-Courtin, entre outros, com o objectivo de divulgar o trabalho destas novas gerações de Champagne. Na Laherte Fréres, juntamente com o seu pai Thierry Laherte, cultivam cerca de 10 hectares de vinha divididos em muitas pequenas parcelas. Além da Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier, a Laherte, mantendo a tradição, continua a preservar e cultivar as vinhas velhas de castas menos conhecidas como a Pinot Gris, a Arbanne, a Pinot Blanc e a Petit Meslier. Produz inclusivé um vinho que é um lote destas sete castas chamado Les 7. Seguidores da abordagem natural, fazem uma agricultura biológica e uma vinificação de pouca intervenção, sendo adeptos do trabalho em madeira, onde são vinificados com fermentações naturais e lentas e estagiados em grandes foudres ou barricas usadas uma grande percentagem dos seus vinhos.

Vinhas em Épernay

O Les Grandes Crayères 2014, é produzido exclusivamente com uvas de Chardonnay provenientes de duas parcelas calcárias localizadas próximas da adega e é o vinho que exprime da melhor maneira as vinhas velhas e a personalidade do terroir da Laherte Fréres. Citrinos, fruta verde, maçãs, ligeiras notas salinas e de floral seco, num bouquet fresco e muito atraente. Na boca tem excelente presença, pela frescura, com uma acidez citrina bem enquadrada por um conjunto com boa complexidade, onde surgem algumas sugestões de estágio bem acompanhadas por uma bolha muito fina e elegante. Já tinha bebido este Les Grandes Crayéres e tinha gostado, mas desta vez gostei ainda mais. Desconheço se seria o mesmo degorgement, provavelmente não, mas achei-o muito mais elegante e afinado, sem perder a complexidade que a fruta limpa e madura confere ao vinho. É um grande champagne de vigneron, caro, para dias de festa, que pode ser encontrado em Portugal através da distribuição dos Goliardos.

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